Fato real - I
A CARIDADE DO DR. PINTO
A medicina em Campina Grande, desde o início do século, sempre foi representada por grandes profissionais que fizeram da profissão de Hipócrates um verdadeiro sacerdócio. A maioria dos médicos do passado, além de ter um grande conhecimento médico, possuía um profundo entendimento das doenças que afetavam a população em grande escala.
A maior parte desses profissionais tinha empregos no município, no estado e na União, cujos ganhos eram suficientes para viver e realizar suas ações de caridade, sem afetar sua condição social. Claro que sempre havia alguns que não faziam caridade e viviam mais da fama e da brutalidade com seus clientes.
Mas um médico que marcou época em Campina Grande, oriundo do Sertão paraibano, foi o
Dr. Francisco Pinto de Oliveira, cuja especialidade era a oftalmologia.
O Dr. Pinto era alto, esbelto, de fala mansa, educado, um verdadeiro cavalheiro e um bom pai de família. Enfim, ele era o que havia de melhor em um ser humano.
Pois bem, o Dr. Pinto resolveu estender sua bondade aos mais necessitados e escolheu a sexta-feira de cada semana para atendimento aos pobres, por que não dizer.
Rua Sete de Setembro, no centro da cidade, uma fila enorme tomava quase toda aquela artéria, composta, nos dias de hoje, por aposentados que, na juventude e na adolescência, ajudaram, com seu trabalho, no crescimento da região.
O Dr. Pinto não media esforços para atender àquela gente sofrida. O atendimento gratuito enchia de satisfação o grande profissional que foi. Ele ajudava os menos favorecidos pela sorte. E o melhor é que o
Dr. Pinto nunca teve pretensões políticas. A caridade que fazia era espontânea; era a vontade de amenizar o sofrimento daquela gente menos favorecida, sem pensar em ocupar um cargo público.
Mas um dia, o Dr. Pinto resolveu se aposentar, e aquela gente pobre ficou órfã da caridade do grande médico. Nunca mais a Rua Sete de Setembro foi a mesma sem os pobres do Dr. Pinto.
Passados alguns anos, e como nada é eterno, esse extraordinário e notável médico se foi do convívio dos vivos, deixando para seus filhos e amigos um exemplo de como se deve viver ajudando o próximo.
Ah! Dr. Pinto, que bom seria se pudéssemos dar uma volta no túnel do tempo e vê-lo atendendo aquela gente sem pensar em pretensões políticas.
Dr. Francisco Pinto de Oliveira, sua passagem aqui na Terra surtiu bons frutos; que Deus o tenha em seu lugar merecido, que é o lugar dos bons!
Diário da Borborema, 5 de novembro de 2022.
--- Ronaldo Dinoá ---
*Nota: Francisco Pinto de Oliveira foi o meu avô paterno - Alfredo Pinto Júnior.
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Alfredo José Pinto de Oliveira Júnior e Ronaldo Dinoá
Enviado por Alfredo José Pinto de Oliveira Júnior em 11/09/2025
Alterado em 26/12/2025